quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

QUANDO ADOECEMOS...



Olá a todos!
Quando adoecemos não é somente o nosso corpo que se altera, não é somente o jeito dele funcionar que muda. Nós mudamos a partir dos nossos pensamentos sobre a doença. Então, adoecer não é só um processo físico, mas mental também. Ou seja, o que pensamos e o que sabemos sobre a nossa enfermidade pode agravá-la ou amenizá-la. Então, a doença não existe de fato? Sim, ela existe; porém, nós temos mecanismos que podem fortalecer ou enfraquecer o nosso sistema imunológico, as nossas defesas internas. Obviamente, uma boa alimentação ajudará. Sempre ajuda! Mas, não há inimigo maior de nós mesmos do que a tristeza diante da doença. Ao entristecermos, produzimos menos endorfinas, que têm a função de nos fazer sentir bem. O que pensamos, portanto, está estreitamente ligado ao funcionamento de todo o nosso organismo, enfraquecendo-o ou fortalecendo-o.
A doença sempre foi vista como um obstáculo à vida humana. Sempre existiu o medo de adoecer. Na idade média adoecer era praticamente sinônimo de morte, uma vez que as condições de higiene na Europa naquela época eram péssimas. Sempre fugimos da dor e da doença. O filósofo grego Epicuro acreditava que o homem buscava afastar-se da dor e aproximar-se do prazer. Em nossa história, apesar de termos aprendido sobre os benefícios da dor e do sofrimento enquanto ferramentas para o nosso amadurecimento, sofremos demasiadamente com situações de dor e doença, física ou psicologicamente. Quando adoecemos, a nossa existência adoece. Quanto mais sério é o problema orgânico, maior é a nossa dor existencial. Temos medo de sermos fracos. Por quê?
Nossa sociedade ocidental, apesar de ser embasada nos valores judaico-cristãos, vive a síndrome da onipotência. Crescemos e aprendemos que o sucesso é tudo o que dá sentido às nossas vidas. Falo do sucesso material, financeiro. Infelizmente, a cultura não rola aqui. Isto na maioria dos casos. Crescendo assim, não nos damos conta de nossa fragilidade enquanto grãos de um cosmos infinitamente maior do que nós. Como disse muito sabiamente o Dalai Lama em um de seus valiosos discursos, "vivemos como se nunca fôssemos morrer, e morremos como se nunca tivéssemos vivido!..." O sentimento de onipotência, sobretudo na juventude e nos jovens adultos, não nos prepara, enquanto pessoas, para a possibilidade da doença e da dor em qualquer fase da vida. Quando alguém diz que sente dor, há quem diga: "você parece velho!", e coisas do tipo. É claro que não devemos sair à procura de doenças só para provarmos que somos maduros ou porque queremos amadurecer. Não façam isto ok! ;-)
Entretanto, cabe pensar que a dor também tem algo a nos ensinar; a doença é parte da vida humana. Não é uma punição, mas uma contingência de se existir. Então, pensemos nesta parte da vida enquanto algo nosso e não do "demônio" ou da "ira de Deus". Quando somos humanos de fato, assumimos tudo o que advém desta condição. Se aceitamos que somos frágeis, melhoramos a nossa auto-estima. Sentimo-nos bem com o que somos: pessoas que estão aqui, agora.
Abraço a todos!

Sandro Luz