quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Por que a sociedade hoje e a Relação Homem-Trabalho (RH-T) demandam visão de hipertexto?

A sociedade hoje e a RH-T demandam visão de hipertexto por causa do fenômeno da globalização. Ao pensarmos em globalização, devemos considerar as quatro dimensões sob as quais ela se manifesta, segundo Malvezzi (2008), sejam elas: a dimensão econômica, a dimensão sociológica, a dimensão antropológica e a não menos importante dimensão psicológica.
Essas quatro dimensões englobam a trama das relações humanas em sua complexidade e não permitem mais que as diferentes culturas em seus específicos espaços geográficos vivam isoladas do macro contexto global. Todas as dimensões humanas são, de alguma forma, afetadas pela globalização. A RH-T, eminentemente subjetiva, passa a ser marcada pela exigência de um indivíduo capaz de ser flexível, uma vez que sua identidade é caracterizada pelo nomadismo inerente às exigências do novo contexto globalizado. O sujeito, independentemente de sua cultura pessoal, deverá submeter-se a uma condição de "mimetismo" para sobreviver no trabalho e em sociedade. A visão de hipertexto vem contribuir para a sustentação desse "mimetismo". O “existir” pode, talvez, ser pensado a partir da lógica do resultado. Este só é alcançado na medida em que o sujeito se familiariza com as demandas momentâneas. Ser um “camaleão” acaba sendo uma estratégia para atender a tais demandas e continuar “existindo” na organização. Fica difícil, portanto, pensar em um indivíduo intrinsecamente reflexivo em uma cultura de hipertexto. Para isso, ele deveria despender um tempo para o qual não há mais tempo. A globalização seria, daí, uma forma de corroborar uma visão de hipertexto que, ao mesmo tempo, a mantém em detrimento da reflexividade.
Pode-se pensar, talvez, em uma relação de “comensalismo” – emprestando o termo da Biologia – entre a globalização e a visão de hipertexto. Ao “se “alimentarem” mutuamente, ambos impedem a interrupção do processo de fragmentação do indivíduo em vários indivíduos “mimetizados” e marcados, segundo Enriquez, pela “teatralidade”.
Portanto, a visão de hipertexto tornou-se um dos ingredientes que garantem a nova forma de relação do homem com o trabalho e com a sociedade globalizada. É possível, talvez, pensar que sem o hipertexto, a RH-T poderia ser afetada por conflitos provindos da reflexão dos indivíduos, que, olhando para si e enxergando-se, tornar-se-iam menos infantilizados em sua participação nas organizações e na sociedade.

Outra razão pela qual a sociedade hoje e a RH-T demandam uma visão de hipertexto é a necessidade de manutenção da estrutura estratégica. Nesta estrutura, segundo Enriquez, o indivíduo é marcado por características que o tornam próximo sem ser, de fato, próximo. O indivíduo traz o fenótipo do sucesso: aparência física atraente, que denota sucesso, semblante de um vitorioso carismático, capaz de dirimir conflitos ou de retardá-los o quanto puder. Alguém cativante, perfeito para se ter ao lado. Entretanto, engana-se quem pensa que tais indivíduos exercem com autenticidade o que são. A estrutura estratégica não permite um “eu autêntico”, como diria Carl Rogers, mas vários “eus” diluídos em um contexto caracterizado pela “instantaneidade e urgência”, segundo Aubert, sem que possam, efetivamente, perceberem-se enquanto sujeitos construtores de sua história, ainda que aparentem ou pensem o contrário. Mesmo que flexíveis e “criativos”, não representam o sujeito autônomo, ao qual Nietzsche se refere na Genealogia da Moral.
O indivíduo estratégico não sobrevive sob valores indeléveis, pois que seu desenvolvimento depende da condição de “abrir mão” e ser outro de acordo com a demanda do momento. Ele precisa ser um herói, o herói dos resultados, “Marvel” cuja identidade é desconhecida até por si mesmo. A realidade do indivíduo da estrutura estratégica é imbuída do irreal, de um “ser sem ser”, pragmático e visível desde a superfície, pouco tangível para os outros. E, quem seria o outro para tal indivíduo? Aí entra, talvez, o impedimento causado pela presença da visão de hipertexto na estrutura estratégica. O outro é percebido, nessa gramática, como, segundo Enriquez, uma “peça mestra do gerenciamento estratégico participativo”; contudo, a percepção do outro é pragmática, a partir de “planos para ele”, de sua significação estratégica, mas não a partir de sua natureza ontológica. O outro não é, de fato, percebido, pois que perceber alguém a partir de sua história implica reflexividade. O hipertexto ignora a reflexividade, nas palavras de Malvezzi (2008). Não há, portanto, como “alcançar” o outro sob a visão de hipertexto.
A RH-T hoje demanda a visão de hipertexto em função da complexidade atingida pelas organizações empresariais e pela sociedade em suas formas de produção. A estrutura estratégica teria dificuldades em sobreviver se não estivesse sob a “proteção” da visão de hipertexto. Daí, pensar que a RH-T e a sociedade hoje demandam essa visão ao adotarem a estrutura estratégica, de prazos curtos e resultados rápidos, com pouca consideração pela identidade real do indivíduo.
A demanda pela visão de hipertexto passou, portanto, a ser uma contingência inevitável do contexto estratégico e suas "demandas por resultados trimestrais”, citando Aubert. Talvez não tenha havido outra escolha senão a de anular o sujeito particular em favor do sujeito organizacional e vitorioso. Talvez as outras opções não satisfizessem a necessidade imposta pela ansiedade de resultados rápidos e lucrativos. A visão de hipertexto tornou-se necessária em um contexto carente de pensamento e sequioso de poder.
Adalmir Sandro L. Oliveira
Psicólogo

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O eu e o capitalismo

Certa noite, eu estava no metrô de São Paulo quando vi sentados diante de mim um senhor e uma senhora negros. A senhora era do Rio de Janeiro e estava elegantemente vestida com trajes africanos. Faziam parte do movimento da Consciência Negra. O que me chamou a atenção e me levou a citá-los neste artigo são algumas poucas palavras da bela e simpática senhora carioca. Entre outras coisas, ela afirmou, em sua conversa informal com o senhor paulistano, que ela era feliz na adolescência; porém, não via o mesmo nos adolescentes de hoje. Tristes e corrompidos, afirmou ela. E deu o porquê de sua opinião: o capitalismo. Ela afirmou que o capitalismo “corrompe e corrói o homem”. Ao ouvi-la, eu pensei em escrever este artigo. Pensei comigo: o que eu teria a dizer sobre isto enquanto psicólogo? Bem, inicialmente, eu gostaria de citar algumas palavras do psicólogo russo Aléxis Leontiev.
Ele afirma que “a consciência humana distingue a realidade objetiva do seu reflexo, o que leva a distinguir o mundo das impressões interiores e torna possível com isso o desenvolvimento da observação de si mesmo” (LEONTIEV, 2004 [1959]: 75). Simplificando, poderíamos conduzir esta reflexão para a questão que trata de quem sou eu diante do mundo que vejo. Como eu o percebo? Falo de um mundo capitalista, marcado pela valoração do outro a partir de sua produtividade. Como posso desenvolver a capacidade de me auto-observar em um mundo marcado pelo externalismo, ou seja, pelo que se vê imediatamente, a partir do ambiente externo a mim (roupas, carros, marcas publicitárias, dentes, cor dos olhos, cor da pele, penteados, beleza estética, etc.).
Leontiev acredita que nossa consciência tem a capacidade de diferenciar este mundo externo daquilo que eu sou, o que é de fora do que é meu, que me caracteriza. Daí, vem um ponto dolorido para se pensar: será que, hoje, um jovem, ou adulto mesmo, consegue "cuidar" de sua identidade em um contexto que não nos permite sermos quem somos ou, ao menos, percebermos que temos características que são somente nossas e que não dependem de certas marcas de roupas, etc., para existirem? Evidentemente que não estou fazendo, aqui, uma apologia ao anti materialismo. O mundo é regido pelo capital e é nele que precisamos aprender a sobreviver e a viver com o máximo de qualidade possível. Sem dúvida, temos nossos gostos estéticos, nosso fascínio pela beleza, e isto é bom. Entretanto, parece que o contexto capitalista, ou neoliberal, aproveita-se de nossa vocação natural pelo belo e nos seduz a ponto de só pensarmos em “comprar”, “consumir” o belo muito mais do que valorizá-lo ou criá-lo, ou, ainda, sentirmo-nos parte de toda esta beleza, que não está somente em “outdoors” (hoje banidos, ao menos da cidade de São Paulo, graças a Deus!).
Creio que o grande desafio da pessoa hoje seja sentir-se única em um mundo marcado por modelos de beleza, de vitória, de sucesso. Todos buscam o mesmo sucesso financeiro. O grande sonho é ser rico, como atleta ou artista, mas não como pensador. Pensar não combina com a lógica do capitalismo globalizado. Pensar existe se for para a publicidade, mas não para o desenvolvimento da consciência de que somos marcantemente semelhantes, porém únicos, irrepetíveis e fabulosamente humanos.
Obviamente, a chave do sucesso social, e não do sucesso do dinheiro e da fama, está na educação, na arte que desenvolve a consciência de si mesmo. A escola é fundamental neste contexto, e é por isso mesmo que ela é degradada e sucateada. O Estado sabe muito bem porque forma mal seus professores e os paga mal também. O sistema não precisa de pensadores, mas de produtores das mesmas coisas que geram riqueza sem conteúdo humano. Vale a pena enfrentar o desafio de saber quem você é neste emaranhado de vaidade e consumo irracional. Vale a pena cuidar do adolescente, da criança com quem você tem contato. No próximo artigo, conversaremos justamente sobre isto: a construção da auto-estima e da autoconfiança. Há diferença entre elas?
Um grande abraço e até mais.

Adalmir Sandro Luz Oliveira
Psicólogo
CRP 06/84194
adalmir_sandro@yahoo.com.br

REFERÊNCIA:
LEONTIEV, A. O Desenvolvimento do Psiquismo. Tradução de Hellen Roballo. 2ª. Edição. São Paulo: Centauro, 2004.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

O OUTRO EM MINHA VIDA

Algumas pessoas imaginam que estar bem é cuidar de si mesmo. Existe aí certo engano. Se eu sou alguém que existe porque se relaciona (isso é ser humano), é impossível cuidar de mim mesmo sem cuidar do outro. É uma troca. Não é um mercado. Entenda bem. A troca é gratuita e todos saem ganhando, ao contrário do mercado. A Psicologia tem, também, como missão, desconstruir a ilusão de que serei feliz se pensar em mim, ou se comprar aquele carro, aquela roupa, aquela moto. A idéia do poder está muito presa à idéia de aquisição de tudo inclusive do outro. Trata-se do individualismo comum em nossa sociedade capitalista. Eu sou o que consumo. E se consumo o outro, é uma conseqüência, não uma responsabilidade minha. Entenda-se consumir o outro como usá-lo mesmo. Usá-lo e descartá-lo, porque tudo tem data de validade, até o outro. Guareschi (1998) afirma que, no mundo neoliberal, os indivíduos são os responsáveis únicos e últimos por seu sucesso ou por seu fracasso. É a solidão globalizada. E onde está o outro?
O outro está no mesmo lugar em que me encontro comigo. Se hoje as pessoas estão tão distantes umas das outras, se há tão pouca confiança, não é porque o outro não presta, mas é porque não aprendemos a acreditar que “eu presto e posso gostar de mim”. Não há como gostar de alguém se eu não tenho idéia do que sou, se não tenho o mínimo de vontade de me conhecer a mim mesmo e de me aceitar. Rogers (1977) afirma que para crescer como pessoa eu preciso aceitar-me a partir dali, do lugar onde estou em minha própria vida. Preciso assumir se gosto ou não de mim, se sou bom ou mau para mim mesmo. Preciso ir aprendendo sobre os meus preconceitos contra mim e contra tudo o que é aparentemente diferente de mim. É a partir daí que o outro começa a existir, como uma pequena luz que se acende aos poucos em minha vida. Conseqüentemente, vou-me dando conta de que não estou só. Há pessoas à minha volta, tão desejosas de felicidade quanto eu. Não são iguais a mim e nem serão. São dignas de respeito, como eu mesmo o sou.
O individualismo, ou o intimismo, cai quando percebo o outro. Guareschi (1998) diz que não podemos negar a existência e a realidade do outro. Na verdade, existir é considerar o outro. Eu não existo se não me relaciono. Precisamos do reconhecimento do outro e precisamos reconhecer o outro. Mas, antes, eu preciso deixar de ser um estranho para mim mesmo.
Aí está um dos grandes objetivos, ou o maior objetivo da Psicologia como um todo, e da Psicologia Humanista, de maneira particular: deixar de ser um estranho para mim melhorando o meu autoconceito e, em conseqüência, o conceito que tenho do outro em minha vida.


Adalmir Sandro L. Oliveira
Psicólogo
CRP 06/84194
adalmir_sandro@yahoo.com.br

REFERÊNCIAS:

ROGERS, C.R. e ROSENBERG, R.L. A Pessoa Como Centro. São Paulo: EPU, 1977.GUARESCHI, P. Alteridade e Relação: Uma Perspectiva Crítica. Em Arruda, Ângela (org.). Representando a Alteridade. Petrópolis: Vozes, 1998. pp. 149-161

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

AUTO-ESTIMA E AUTOCONFIANÇA

No mundo de hoje não temos muito tempo para refletir sobre o que nos faz bem e como algum fato nos faz bem. Crescemos e nos desenvolvemos com muitas informações sobre quase tudo, mas com quase nenhuma reflexão. Entretanto, fica a pergunta: o que realmente nos faz bem? Sem dúvida, sentir-se bem está relacionado com estar bem consigo mesmo. Daí pensarmos na auto-estima, ou na alta auto-estima. A auto-estima é o que sinto por mim, o que penso de mim mesmo. Isto exige parar para pensar. Hoje em dia, a relação entre pais e filhos está, pelo que percebo, mais marcada por uma “alimentação” da autoconfiança em prejuízo da auto-estima.
Mas, qual viria a ser a diferença entre estes dois conceitos? Leia com atenção esta passagem:

...o fruto mais maduro dessa árvore (a sociedade) é o indivíduo soberano, o indivíduo próximo de si mesmo, o indivíduo livre da moralidade dos costumes, o indivíduo autônomo e supermoral (acima da moral), porque autônomo e moral se excluem um ao outro; numa palavra, o homem dotado de vontade própria, independente, persistente, o homem que tem o direito de prometer – e que possui em si mesmo a consciência orgulhosa, que faz vibrar todos os seus músculos, por aquilo que acabou de conseguir e por se encarnar em si, uma verdadeira consciência de seu poder e de sua liberdade, um sentimento de plenificação (sentir-se completo, pleno) do homem em geral (NIETZSCHE, 1887).

Nesta breve passagem da obra A Genealogia da Moral, do filósofo alemão Nietzsche, dá para perceber que auto-estima e autoconfiança, ainda que caminhem juntas, são diferentes. A auto-estima é estar próximo de si, orgulhoso de si mesmo. Já a autoconfiança é vibrar por tudo aquilo que consigo e acreditar, confiar que posso conseguir, que sou capaz. É claro que não se trata de uma receita de felicidade. Não existem receitas para ser feliz. Existe um caminho: buscar gostar de mim mesmo e confiar que posso vencer. Não me refiro à vitória financeira. Ainda existem pobres felizes. Refiro-me à vitória de estar vivo e acreditando em mim, relacionando-me saudavelmente com o mundo, com os outros.
Como um pai ou uma mãe podem ajudar um filho a gostar de si e a confiar em sua capacidade? Lembro-me, aqui, de uma aula de pós graduação que assisti na USP, com o Professor e Psicólogo Hélio Guilhardi. Ele disse que a autoconfiança pode ser adquirida elogiando o filho por algo que ele conseguiu, valorizando sua conquista. Já a auto-estima se adquire sentindo-se amado pelos pais. O filho não precisa fazer nada para ser merecedor do amor e da atenção dos pais. Basta existir. Eu, como pai ou mãe, amo o meu filho por ele existir. Abraço-o, beijo-o, sem medos, sem vergonhas tolas de tocá-lo e fazê-lo menos macho, se for um menino. Todos nós necessitamos do amor expresso no toque do corpo. Não bastam palavras.
O homem autônomo de Nietzsche é, antes de tudo, um homem que se ama, que está próximo de si. Mas, uma pessoa só pode se amar se alguém mostrar a ela o quanto ela vale. O amor é relação. A auto-estima, a boa auto-estima, nasce de uma relação de amor e respeito. Nasce de abraços, de carinhos. Não bastam presentes de fim de ano ou no mês de outubro. O filho, o amigo, o pai, a mãe existem o ano todo e precisam saber sempre que valem a pena, não por serem bons ou inteligentes, ou, ainda, produtivos, mas simplesmente por existirem.
Portanto, a tarefa de construir a alta auto-estima e a autoconfiança é constante. Na infância, na adolescência, na fase adulta e na melhor idade. Somos continuamente responsáveis pelo outro e por nós mesmos. Precisamos acreditar neste fato e agir em favor de nós mesmos e do outro.


Adalmir Sandro L. Oliveira
Psicólogo
CRP 06/84194
adalmir_sandro@yahoo.com.br


REFERÊNCIA:
NIETZSCHE, W. A Genealogia da Moral (1887). Trad. Antonio C. Braga. Coleção Grandes Obras do Pensamento Universal. São Paulo: Escala

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

LET'S NOT SABOTAGE OURSELVES

Psychology, grosso modo, helps us perceive the best of our potentialities. In all its areas, Psychology is person centered and sees us as the builders of our own history, able to positively organise our lives despite the daily conflicts we have to cope with. As Rogers, a North American psychologist, states, a person is able to “move towards a self understanding, and to take constructive procedures so as to solve his or her own problems” (1977:139). Undoubtedly, moving towards self understanding implies, first of all, accepting oneself. From self-acceptance one starts the movement to self-understanding. We cannot understand something if we don’t accept its existence. Thus, we may think that “knowing oneself” isn’t an easy process. It’s about lying before the challenge of “being who we are”, and not “who we want to be” or “need to be". In our contemporary world, it has become easier for us to live as if we were characters of a big theatre play. We live what is expected that we live, be it in the family, or group of friends, in the working environment, or elsewhere. Maybe it’s way easier to give away the oars of our boat to someone else. The responsibility to take on the course of our own lives is, sometimes, anguishing. It isn’t easy to be true in a social environment that overvalues characters instead of real persons. It’s not a mission of Psychology to nourish such characters. Maybe that’s why Psychology may bother some people, once it is a constant invitation to seek our truth. When one does not accept themselves or do not admit being what they are, they sabotage themselves. They cheat their real essence, and run away from what they really want. However, there comes this emptiness inside that we neither know where it comes from nor where it is going to. It is our true self asking to be heard. Therefore, Psychology is supposed to contribute to the improvement of human abilities. An improvement based on the truth of what we really are, without unnecessary and destructive lies, which do not collaborate on the growth and strengthening of our existence. In order to look for a licensed psychologist, we do not need to be “crazy” or suffering. We should only want to get to know ourselves better. That’s the preventive character of Psychology in people’s lives. Brazil has not yet got a preventive approach in terms of health, let alone in terms of mental health. Yet, this is a way for us to positively invest in our quality of life.

Adalmir Sandro L. Oliveira
Psychologist

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

NÃO NOS SABOTEMOS

A Psicologia vem, grosso modo, auxiliar a pessoa a perceber o melhor de suas potencialidades. Em todas as suas áreas de atuação, a Psicologia centra-se na pessoa e a vê como construtora de sua história, capaz de organizar positivamente sua vida apesar dos conflitos diários que tem que enfrentar. Como afirma Rogers, um psicólogo norte-americano, a pessoa tem a "capacidade de caminhar no sentido de uma auto compreensão e de tomar providências construtivas para resolver seus problemas" (1977:139). Sem dúvida, caminhar no sentido de compreender-se implica buscar, antes de tudo, aceitar-se. É a partir da auto-aceitação que se começa a caminhada da auto compreensão. Não posso compreender o que não aceito que existe. Daí, pensar que conhecer-se não é um processo fácil. Trata-se de pôr-se diante do desafio de "ser quem você é” e não ser “quem você deseja ser” ou “precisa ser”.
Em nosso mundo contemporâneo, tornou-se mais fácil vivermos como se fôssemos personagens de uma grande peça teatral. Vivemos o que esperam de nós, seja na família, seja no grupo de amigos, no ambiente de trabalho ou em quaisquer outros ambientes. Talvez seja mais fácil entregarmos os remos de nosso barco nas mãos dos outros. A responsabilidade de assumirmos o rumo de nossa própria história é, por vezes, angustiante. Não é fácil ser verdadeiro em um mundo social que valoriza personagens e não pessoas reais. Também não é missão da Psicologia alimentar tais personagens. Talvez, por esta razão, a Psicologia incomode algumas pessoas, uma vez que é sempre um convite para buscarmos nossa verdade. Quando não nos aceitamos ou não admitimos ser o que somos, nos sabotamos. Enganamos nossa verdadeira essência, fugimos do que realmente queremos. Entretanto, bate um vazio que não sabemos de onde vem e nem para onde vai. É o nosso eu verdadeiro pedindo para ser ouvido.
A Psicologia tem, portanto, a tarefa de contribuir para o aprimoramento das habilidades humanas. Um aprimoramento embasado na verdade do que somos, sem mentiras desnecessárias e desconstrutivas, que não colaboram para o crescimento e fortalecimento de nossas existências. Para buscar por um profissional habilitado da Psicologia não é necessário estar “louco” ou sofrendo. Basta que queiramos nos conhecer melhor. Está aí o caráter preventivo da Psicologia na vida das pessoas. O Brasil ainda não tem uma postura preventiva diante da saúde, menos ainda diante da saúde mental. Contudo, este é o caminho para investirmos positivamente em nossa qualidade de vida.

Adalmir Sandro L. Oliveira
Psicólogo
CRP 06/84194
adalmir_sandro@yahoo.com.br

REFERÊNCIA:
ROGERS, C. R., ROSENBERG, R. A Pessoa como Centro. São Paulo: Editora Pedagógica e Universitária, 1977.