A sociedade hoje e a RH-T demandam visão de hipertexto por causa do fenômeno da globalização. Ao pensarmos em globalização, devemos considerar as quatro dimensões sob as quais ela se manifesta, segundo Malvezzi (2008), sejam elas: a dimensão econômica, a dimensão sociológica, a dimensão antropológica e a não menos importante dimensão psicológica.
Essas quatro dimensões englobam a trama das relações humanas em sua complexidade e não permitem mais que as diferentes culturas em seus específicos espaços geográficos vivam isoladas do macro contexto global. Todas as dimensões humanas são, de alguma forma, afetadas pela globalização. A RH-T, eminentemente subjetiva, passa a ser marcada pela exigência de um indivíduo capaz de ser flexível, uma vez que sua identidade é caracterizada pelo nomadismo inerente às exigências do novo contexto globalizado. O sujeito, independentemente de sua cultura pessoal, deverá submeter-se a uma condição de "mimetismo" para sobreviver no trabalho e em sociedade. A visão de hipertexto vem contribuir para a sustentação desse "mimetismo". O “existir” pode, talvez, ser pensado a partir da lógica do resultado. Este só é alcançado na medida em que o sujeito se familiariza com as demandas momentâneas. Ser um “camaleão” acaba sendo uma estratégia para atender a tais demandas e continuar “existindo” na organização. Fica difícil, portanto, pensar em um indivíduo intrinsecamente reflexivo em uma cultura de hipertexto. Para isso, ele deveria despender um tempo para o qual não há mais tempo. A globalização seria, daí, uma forma de corroborar uma visão de hipertexto que, ao mesmo tempo, a mantém em detrimento da reflexividade.
Pode-se pensar, talvez, em uma relação de “comensalismo” – emprestando o termo da Biologia – entre a globalização e a visão de hipertexto. Ao “se “alimentarem” mutuamente, ambos impedem a interrupção do processo de fragmentação do indivíduo em vários indivíduos “mimetizados” e marcados, segundo Enriquez, pela “teatralidade”.
Portanto, a visão de hipertexto tornou-se um dos ingredientes que garantem a nova forma de relação do homem com o trabalho e com a sociedade globalizada. É possível, talvez, pensar que sem o hipertexto, a RH-T poderia ser afetada por conflitos provindos da reflexão dos indivíduos, que, olhando para si e enxergando-se, tornar-se-iam menos infantilizados em sua participação nas organizações e na sociedade.
Outra razão pela qual a sociedade hoje e a RH-T demandam uma visão de hipertexto é a necessidade de manutenção da estrutura estratégica. Nesta estrutura, segundo Enriquez, o indivíduo é marcado por características que o tornam próximo sem ser, de fato, próximo. O indivíduo traz o fenótipo do sucesso: aparência física atraente, que denota sucesso, semblante de um vitorioso carismático, capaz de dirimir conflitos ou de retardá-los o quanto puder. Alguém cativante, perfeito para se ter ao lado. Entretanto, engana-se quem pensa que tais indivíduos exercem com autenticidade o que são. A estrutura estratégica não permite um “eu autêntico”, como diria Carl Rogers, mas vários “eus” diluídos em um contexto caracterizado pela “instantaneidade e urgência”, segundo Aubert, sem que possam, efetivamente, perceberem-se enquanto sujeitos construtores de sua história, ainda que aparentem ou pensem o contrário. Mesmo que flexíveis e “criativos”, não representam o sujeito autônomo, ao qual Nietzsche se refere na Genealogia da Moral.
O indivíduo estratégico não sobrevive sob valores indeléveis, pois que seu desenvolvimento depende da condição de “abrir mão” e ser outro de acordo com a demanda do momento. Ele precisa ser um herói, o herói dos resultados, “Marvel” cuja identidade é desconhecida até por si mesmo. A realidade do indivíduo da estrutura estratégica é imbuída do irreal, de um “ser sem ser”, pragmático e visível desde a superfície, pouco tangível para os outros. E, quem seria o outro para tal indivíduo? Aí entra, talvez, o impedimento causado pela presença da visão de hipertexto na estrutura estratégica. O outro é percebido, nessa gramática, como, segundo Enriquez, uma “peça mestra do gerenciamento estratégico participativo”; contudo, a percepção do outro é pragmática, a partir de “planos para ele”, de sua significação estratégica, mas não a partir de sua natureza ontológica. O outro não é, de fato, percebido, pois que perceber alguém a partir de sua história implica reflexividade. O hipertexto ignora a reflexividade, nas palavras de Malvezzi (2008). Não há, portanto, como “alcançar” o outro sob a visão de hipertexto.
A RH-T hoje demanda a visão de hipertexto em função da complexidade atingida pelas organizações empresariais e pela sociedade em suas formas de produção. A estrutura estratégica teria dificuldades em sobreviver se não estivesse sob a “proteção” da visão de hipertexto. Daí, pensar que a RH-T e a sociedade hoje demandam essa visão ao adotarem a estrutura estratégica, de prazos curtos e resultados rápidos, com pouca consideração pela identidade real do indivíduo.
A demanda pela visão de hipertexto passou, portanto, a ser uma contingência inevitável do contexto estratégico e suas "demandas por resultados trimestrais”, citando Aubert. Talvez não tenha havido outra escolha senão a de anular o sujeito particular em favor do sujeito organizacional e vitorioso. Talvez as outras opções não satisfizessem a necessidade imposta pela ansiedade de resultados rápidos e lucrativos. A visão de hipertexto tornou-se necessária em um contexto carente de pensamento e sequioso de poder.
Essas quatro dimensões englobam a trama das relações humanas em sua complexidade e não permitem mais que as diferentes culturas em seus específicos espaços geográficos vivam isoladas do macro contexto global. Todas as dimensões humanas são, de alguma forma, afetadas pela globalização. A RH-T, eminentemente subjetiva, passa a ser marcada pela exigência de um indivíduo capaz de ser flexível, uma vez que sua identidade é caracterizada pelo nomadismo inerente às exigências do novo contexto globalizado. O sujeito, independentemente de sua cultura pessoal, deverá submeter-se a uma condição de "mimetismo" para sobreviver no trabalho e em sociedade. A visão de hipertexto vem contribuir para a sustentação desse "mimetismo". O “existir” pode, talvez, ser pensado a partir da lógica do resultado. Este só é alcançado na medida em que o sujeito se familiariza com as demandas momentâneas. Ser um “camaleão” acaba sendo uma estratégia para atender a tais demandas e continuar “existindo” na organização. Fica difícil, portanto, pensar em um indivíduo intrinsecamente reflexivo em uma cultura de hipertexto. Para isso, ele deveria despender um tempo para o qual não há mais tempo. A globalização seria, daí, uma forma de corroborar uma visão de hipertexto que, ao mesmo tempo, a mantém em detrimento da reflexividade.
Pode-se pensar, talvez, em uma relação de “comensalismo” – emprestando o termo da Biologia – entre a globalização e a visão de hipertexto. Ao “se “alimentarem” mutuamente, ambos impedem a interrupção do processo de fragmentação do indivíduo em vários indivíduos “mimetizados” e marcados, segundo Enriquez, pela “teatralidade”.
Portanto, a visão de hipertexto tornou-se um dos ingredientes que garantem a nova forma de relação do homem com o trabalho e com a sociedade globalizada. É possível, talvez, pensar que sem o hipertexto, a RH-T poderia ser afetada por conflitos provindos da reflexão dos indivíduos, que, olhando para si e enxergando-se, tornar-se-iam menos infantilizados em sua participação nas organizações e na sociedade.
Outra razão pela qual a sociedade hoje e a RH-T demandam uma visão de hipertexto é a necessidade de manutenção da estrutura estratégica. Nesta estrutura, segundo Enriquez, o indivíduo é marcado por características que o tornam próximo sem ser, de fato, próximo. O indivíduo traz o fenótipo do sucesso: aparência física atraente, que denota sucesso, semblante de um vitorioso carismático, capaz de dirimir conflitos ou de retardá-los o quanto puder. Alguém cativante, perfeito para se ter ao lado. Entretanto, engana-se quem pensa que tais indivíduos exercem com autenticidade o que são. A estrutura estratégica não permite um “eu autêntico”, como diria Carl Rogers, mas vários “eus” diluídos em um contexto caracterizado pela “instantaneidade e urgência”, segundo Aubert, sem que possam, efetivamente, perceberem-se enquanto sujeitos construtores de sua história, ainda que aparentem ou pensem o contrário. Mesmo que flexíveis e “criativos”, não representam o sujeito autônomo, ao qual Nietzsche se refere na Genealogia da Moral.
O indivíduo estratégico não sobrevive sob valores indeléveis, pois que seu desenvolvimento depende da condição de “abrir mão” e ser outro de acordo com a demanda do momento. Ele precisa ser um herói, o herói dos resultados, “Marvel” cuja identidade é desconhecida até por si mesmo. A realidade do indivíduo da estrutura estratégica é imbuída do irreal, de um “ser sem ser”, pragmático e visível desde a superfície, pouco tangível para os outros. E, quem seria o outro para tal indivíduo? Aí entra, talvez, o impedimento causado pela presença da visão de hipertexto na estrutura estratégica. O outro é percebido, nessa gramática, como, segundo Enriquez, uma “peça mestra do gerenciamento estratégico participativo”; contudo, a percepção do outro é pragmática, a partir de “planos para ele”, de sua significação estratégica, mas não a partir de sua natureza ontológica. O outro não é, de fato, percebido, pois que perceber alguém a partir de sua história implica reflexividade. O hipertexto ignora a reflexividade, nas palavras de Malvezzi (2008). Não há, portanto, como “alcançar” o outro sob a visão de hipertexto.
A RH-T hoje demanda a visão de hipertexto em função da complexidade atingida pelas organizações empresariais e pela sociedade em suas formas de produção. A estrutura estratégica teria dificuldades em sobreviver se não estivesse sob a “proteção” da visão de hipertexto. Daí, pensar que a RH-T e a sociedade hoje demandam essa visão ao adotarem a estrutura estratégica, de prazos curtos e resultados rápidos, com pouca consideração pela identidade real do indivíduo.
A demanda pela visão de hipertexto passou, portanto, a ser uma contingência inevitável do contexto estratégico e suas "demandas por resultados trimestrais”, citando Aubert. Talvez não tenha havido outra escolha senão a de anular o sujeito particular em favor do sujeito organizacional e vitorioso. Talvez as outras opções não satisfizessem a necessidade imposta pela ansiedade de resultados rápidos e lucrativos. A visão de hipertexto tornou-se necessária em um contexto carente de pensamento e sequioso de poder.
Adalmir Sandro L. Oliveira
Psicólogo