Sempre que se utiliza a palavra "gay" é fácil notar que as pessoas tendem a se posicionar: ou são contra ou a favor. Não há meio termo quando se trata de homossexualidade ou bissexualidade. Isto, talvez, porque a sociedade se acostumou com apenas a forma heterossexual de relacionamento. O que quero dizer é que ser heterossexual não é uma escolha, mas impor a heterossexualidade a todos sim, é uma escolha. De qualquer maneira, estamos em uma sociedade aberta, cosmopolita, com mistura de culturas e de valores. As pessoas do século 21 já estão acostumadas com a diversidade, correto? Não sei... Será?!... Em minha experiência pessoal, percebo que não é bem assim. Sem dúvida, existe mais abertura. Isto graças a homossexuais que se expuseram (e se expõem) aos olhos da sociedade. Para que algo diferente seja "naturalizado" socialmente, é necessário que seja visto, notado, percebido. Obviamente, que a ética deve estar acima de toda forma de visualização social. Não quero dizer que os gays podem sair por aí fazendo sexo nas ruas nem dando beijos de língua em locais públicos. Até mesmo casais heterossexuais podem incomodar com esta atitude. Contudo, alguém precisa "dar a cara a tapa" para que avancemos. A contemporaneidade é uma mistura de avanços e retrocessos. Ainda somos submetidos aos nossos valores familiares tradicionais, de raiz judaico-cristã. O sexo, para vários, ainda é meramente para fins de reprodução. A pessoa homossexual, portanto, se vê entre a clandestinidade e a visibilidade. Sabe-se que existem gays; porém, os que são vistos, percebidos, são a minoria. Estes são os que não escondem ou não conseguem esconder a sua condição sexual. Os homossexuais que condizem com as regras comportamentais, ou seja, o rapaz é masculino e a mulher é feminina, ainda ficam ocultos, na maioria das vezes. Isto sem falar dos homens e mulheres casados, que sentem atração sexual por pessoas do mesmo sexo. São raros os casos em que tais pessoas declaram a sua homossexualidade, ou bissexualidade, aos familiares. Nestes casos, é complicadíssimo explicar o que acontece com o homem ou a mulher que se envolve em relações homoafetivas sendo, ainda, casados com alguém do sexo oposto.
O homossexual é e não é aceito. Depende do momento, depende de qual família ele se origina, depende de seu poder aquisitivo e de sua posição social (em alguns casos). Enfim, depende... A sociedade brasileira, e as sociedades latinas como um todo, ainda não estão afetivamente maduras para dialogar sobre a diversidade sexual. Muito tem sido feito a favor da visibilidade da pessoa homossexual. Ainda há muito a ser feito, não somente em nível de pesquisa científica. Em nível político também. A aceitação pode ser conseguida pelo caminho do reconhecimento da dignidade e da integridade da pessoa homossexual como alguém capaz de conviver em sociedade. Afinal, a orientação sexual é uma dimensão da pessoa, mas não a resume como um todo. É apenas uma parte dela. Somente a exposição deste tema em palestras, nas escolas, nas faculdades, de forma consciente e não mercadológica, ajudará a nossa sociedade, tão pobre culturalmente e tão desgastada por suas contradições e hipocrisia, a compreender a homossexualidade como parte, e apenas parte, de formas de expressão da afetividade entre seres humanos.
Muito bom. Interessante. Realmente não se trata de ser contra ou a favor, posto que heteros e homo são absolutamente iguais, posto que são humanos.
ResponderExcluirPara ser honesto, esta questão já deveria ser irrelevante nos dias de hoje, considerando problemas muito maiores, os quais precisamos olhar com mais carinho e atenção como, por exemplo, a degradação ambiental e o sistema financeiro corrosivo, do qual somos reféns.
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